Tradição, equilíbrio e saúde cardiovascular no Mês do Coração e dos Afetos
Enquanto Nutricionista, sei que falar de alimentação é falar para além dos nutrientes. É falar de cultura, hábitos e identidade.
Na nossa região, a cozinha transmontana faz parte de quem somos e de memórias à mesa.
Não temos de escolher entre saúde e tradição. Com equilíbrio, consciência e alguns ajustes, é possível manter a tradição viva e fazer dela uma aliada da saúde cardiovascular.
A Organização Mundial da Saúde recomenda um consumo diário de sal inferior a 5 gramas, o correspondente a 1 colher de chá de sal. Sabe-se que os portugueses consomem, em média, mais do dobro da quantidade máxima diária recomendada e, que o consumo excessivo de sal está associado ao aumento da pressão arterial e do risco de doenças cardiovasculares.
Neste Mês do Coração e dos Afetos, importa desmistificar que não é preciso abandonar a tradição para cuidar da saúde. O que faz a diferença não é um prato isolado, mas sim a frequência, a quantidade e a forma como cozinhamos.
O que a cozinha transmontana tem de positivo para o coração
A base da alimentação tradicional da nossa região inclui muitos alimentos ricos nutricionalmente:
– Sopas ricas em legumes e hortaliças;
– Uso frequente de leguminosas como o feijão e grão-de-bico;
– Utilização do azeite como gordura principal;
– Alimentos maioritariamente cozidos ou assados.
Estes padrões alimentares estão associados a hábitos que favorecem a saúde cardiovascular, contribuindo para uma alimentação mais equilibrada e protetora do coração.
O risco para o coração surge quando a tradição é acompanhada de excessos regulares, sobretudo:
– Consumo frequente de alimentos processados, como a alheira, salpicão, chouriço e presunto;
– Uso de sal em excesso na preparação e confeção dos alimentos;
– Consumo frequente de fritos;
– Consumo elevado de carnes vermelhas, como vaca, vitela e cabrito.
Estes hábitos, mantidos ao longo do tempo, contribuem para o aumento da pressão arterial, do colesterol e consequentemente do risco de enfarte ou acidente vascular cerebral – por vezes sem sintomas prévios.
Cuidar da sua saúde não exige mudanças radicais. Exige consistência:
– Reduzir o uso de sal e aumentar o uso ervas aromáticas e condimentos
– Evitar levar o saleiro para a mesa
– Ler os rótulos nutricionais e escolher alimentos com um teor de sal inferior a 0,3g por 100g de alimento
– Evitar o consumo frequente de aperitivios, batatas de pacote, refeições pré-confecionadas e congeladas
– Reservar os enchidos e fumados apenas para ocasiões especiais
Estas adaptações ajudam a manter o sabor e identidade da nossa cozinha, ao mesmo tempo que contribuem para hábitos alimentares mais saudáveis para o coração.
Alimentação como aliada na prevenção
A alimentação é um dos fatores de risco modificáveis mais relevantes quando se fala em doenças cardiovasculares. Associada a um estilo de vida saudável e à prática regular de atividade física, constitui uma ferramenta importante de prevenção, em qualquer faixa etária.
No grupo Terra Quente Saúde, acreditamos que cuidar do coração passa por informar, acompanhar e respeitar a realidade de cada pessoa.
Neste Mês do Coração e dos Afetos, o convite é simples: olhar para o prato com consciência, equilíbrio e cuidado.
Porque tradição, aliada a escolhas equilibradas, também é saúde.
Cuidar do coração é cuidar da vida.
Escrito por Dra. Mariana A. Ferreira 5631N